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Festas juninas? População questiona novo decreto que amplia horário do comércio em Vitória da Conquista

Vitória da Conquista chegou a triste marca de mais de 500 vítimas fatais por Covid-19. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura na noite da quarta-feira (9), a cidade registrou 502 mortes desde o começo da pandemia do novo coronavírus.

Do total de mortes, 17 mortes ocorreram no período de 1 a 9 de junho. Ou seja,  uma média de 1,88 morte por dia. Além do impactante número de pessoas que perderam a vida para o vírus, o município ainda não conseguiu deixar a taxa de ocupação geral da Unidade de Terapia Intensiva abaixo de 90%. Ainda de acordo com o boletim, a atual taxa geral de ocupação é de 94%. Por tanto, dos 70 leitos apenas quatro estão disponíveis.

No Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC), que possui a maior quantidade de leitos de UTI, dos 40 leitos apenas um está sem paciente. No Hospital de Clínicas de Conquista (HCC), apenas dois, dos 20 leitos, estão disponíveis. Já no Hospital São Vicente de Paulo, só um leito do total de 10 está desocupado.

Print/ Painel Epidemiológico Sesab 10/06 às 16h

A situação da pandemia na terceira maior cidade da Bahia ainda não  é traquila nem confortável. Essa realidade também pode ser verificada na quantidade de casos notificados. Ainda de acordo com o boletim, só no dia 9 de junho foram 212 pessoas diagnosticadas com Covid-19. Até ontem, a cidade registrou um total de 30.231 casos da doença. Desse total 541 ainda estão ativos.

E mesmo diante desta realidade, a prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (DEM), autorizou e publicou no Diário Oficial do Município, dessa quarta-feira (9) ,o Decreto nº 21.125 que a altera o horário de funcionamento dos estabelecimentos que prestam serviços e do comércio de rua na cidade.  Com o novo decreto, os estabelecimentos poderão funcionar até às 20h de segunda a sexta-feira e também aos sábados e domingos. De acordo com a prefeita, ficam “revogadas todas as disposições em sentido contrário”.

O governo municipal publicizou o novo decreto em suas redes socais oficiais. De acordo com o texto publicado, a prefeitura explica que “a medida não prejudica a continuidade da execução das medidas temporárias de prevenção ao contágio da Covid-19 e sim visa evitar aglomerações, já que este é um mês em que se comemora o Dia dos Namorados e as festas juninas”.

No entanto, a justificativa usada para embasar a nova medida não agradou a maioria dos moradores de Vitória da Conquista. Pelo menos, a maioria dos comentários que tomaram conta da postagem no Instagram, são contrários a medida e contestam a decisão da prefeita do DEM

Uma moradora comentou e perguntou: “Festa junina? Onde?”. Outra questionou: “Que festa junina, gente? Na fazenda dela? Que sem noção! E UTI lotada”.

Já em outro comentário, uma seguidora chamou atenção para o número de mortes e da taxa geral de ocupação da UTI e ironizou: “Por que não, né? Afinal só morreram 502 conquistenses a UTI está com 94% de ocupação e a cidade tem uma média de 200 registros por dia. 502 mortos não é fatalidade, é morticínio premeditado”, disse.

 

Risco de nova onda

Durante coletiva de imprensa na manhã desta quinta(10), o governador Rui Costa alertou para os riscos de um expressivo crescimento de casos da Covid-19 com mais registros de morte com o agravamento da doença e a alta ocupação de leitos de UTI no estado.

A declaração foi feita após a inauguração da 17ª Policlínica Regional de Saúde, com sede em Eunápolis e que atende 7 cidades. Rui chamou a atenção que para conter uma nova do onda de coronavírus, já agora no mês de Julho, é preciso que a população colabore não promovendo aglomerações e evitando grandes festas como os tradicionais eventos juninos neste período.

Anteriormente, apesar do cancelamento das festas juninas na Bahia, o Secretário de Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas Boas, disse que acredita que os meses de junho e julho serão piores no estado devido o comportamento da população. A declaração do gestor foi dada em entrevista ao jornal A tarde, publicada no dia 2 de junho.

“Acho que os meses de junho e julho serão muito piores do que os que foram maio e abril. Sabemos que haverá uma imigração de pessoas para a zona rural, mesmo com o feriado cancelado, e é provável que tenhamos um pico 20 dias depois do São João e São Pedro. O que podemos fazer nós já fizemos. Daqui para a frente é usar as forças de segurança do estado para coibir festas e aglomerações”, ressaltou.

 


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